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Material de apoio – Workshop Giz Pastel Oleoso – Junho de 2024
- 17 de junho de 2024
- Postado por: EAD
- Categorias: Curiosidades
Desmistificando o Giz Pastel Oleoso
Acreditamos ser importante aprender sobre a composição do giz pastel oleoso e conhecer a sua história, para que se possa fazer uma melhor utilização do material, já que ambos nos falam muito sobre como deveríamos pensar a sua utilização.
A grande barreira técnica que o giz pastel oleoso pressupõe é justamente o fato dele ter composições similares em algum nível a de outros matérias que estamos acostumados aqui no desenho, como o lápis de cor, o lápis grafite e até mesmo o giz pastel seco. Esse é então o motivo pelo qual não deve ser aplicado da forma que estamos acostumados.
Nesse caso então, quando pegamos o pastel oleoso com o mesmo pensamento que pegamos o lápis de cor por exemplo, nos frustramos. Ele tem a sua própria técnica e maneira de utilizar.
Composição do Pastel Seco e Oleoso e outros:
Vamos primeiro analisar o lápis de cor que é fabricado de forma muito similar a do lápis de grafite. As minas são feitas pela mistura de um pigmento, um aditivo (giz, talco ou caulim) e de um aglutinante (geralmente uma cola a base de celulose). Assim como o lápis de grafite, os bastões são imersos em uma cera líquida, que lhes dá a qualidade necessária para o desenho, sendo após envolvidos por uma peça de madeira fixada com cola.
Já o giz de cera tem muito mais cera. Antigamente produzido com cera de abelha, o giz de cera atualmente é composto por uma mistura de cera, como a parafina, e diversos pigmentos, responsáveis pela coloração. Quanto mais cera maior a rigidez, e por isso ele é ideal para crianças.
Para os pasteis seco e oleoso temos alguma variação:
❖ Seco
O giz pastel seco está disponível em algumas versões. Ele é ideal para técnicas de esfumado, com suavidade nas tonalidades (não entraremos aqui no seu mérito).
- O soft pastel, versão mais popular entre os artistas, é macio, tem alta concentração de pigmento e baixa concentração de aglutinantes. Por esse motivo, ao mesmo tempo em que tem cores intensas e é mais fácil de ser trabalhado, ele esfarela com facilidade e faz bastante sujeira;
- O pastel em pastilha, que tem ainda menos aglutinante e é quase um pó puro. Pode ser aplicado com um esfuminho ou pincéis;
- O pastel duro, que contém mais aglutinador e menos pigmento, é mais rígido e as cores são menos intensas. Por causa dessa composição, ele quebra menos e faz menos sujeira;
- E o lápis pastel, em que a mina é feita com giz pastel. Pelo seu formato, ele é mais fácil de usar e é melhor para detalhes.
ATENÇÃO: É importante adquirir um fixador especial para giz pastel seco, pois, diferente de outros materiais de desenho, ele não fixa tão bem no papel, precisando dessa proteção para se manter intacto.
❖ Oleoso
Esse tipo de giz pastel oleoso tem a mesma composição do giz pastel seco, mas recebe a cera e o óleo como aglutinantes. Diferente do seco, ele não esfarela, por causa desses ingredientes. Os gizes oleosos são muito pigmentados, com cores intensas e brilhantes e podem ser aplicados em papel, telas, madeira, lixa e qualquer outra superfície porosa. É o material preferido dos Impressionistas.
Curiosidade: Em O grito de Edvard Münch o artista utilizou tinta a óleo, têmpera e giz pastel sobre cartão. Isso nos mostra como o giz pastel oleoso pode ser aplicado juntamente a outras técnicas. Nesse caso se deve primeiro aplicar a tinta para posteriormente aplicar o giz pastel.
Para quem gosta de história da arte, a página web O Grito faz uma interessante análise da obra.
História: Uma ferramenta para a expressão e a liberdade!!
O giz pastel oleoso nasceu da busca por uma ferramenta para alcançar a liberdade criativa! Continue lendo para entender por que nos referimos a ele dessa forma.
O giz pastel já era usado pelos artistas desde tempos remotos. Os renascentistas já usavam o giz para fazer “ensaios menores” de suas obras. Mas, foi no século XVIII que ele acabou sendo bastante difundido graças a Rosalba Carriera (1673 – 1757) que no início de sua carreira, especializou-se em miniaturas de retratos e depois tornou-se reconhecida por seu trabalho com pastel, atraente para o estilo rococó por sua suavidade e leveza. Ela é lembrada como uma das mais bem sucedidas artistas de qualquer época. Porém, o giz pastel oleoso tal qual conhecemos hoje começou a existir apenas no século XX, depois da Primeira Guerra Mundial.
A sua criação teve um ponto de partida no Japão, quando o artista Kanae Yamamoto propôs uma revisão do sistema educacional de seu país. Percebia que as crianças japonesas passavam muito tempo desenhando ideogramas com nanquim e acreditava que isso contribuía para a criação de personalidades autômatas, passivas e obedientes. Yamamoto queria promover um sistema menos restritivo, uma visão que expôs em seu livro, Teoria da autoexpressão, no qual descrevia o método Jiyu-ga de “aprendizagem sem professor”.
Os professores Rinzo Satake e Shuku Sasaki leram o trabalho de Yamamoto, tornaram-se seguidores e se esforçaram para colocar suas ideias em prática. Para isso, decidiram produzir um giz de cera melhorado que permitiria às crianças desenhar de forma mais fluida. Em 1921, fundaram a Sakura Cray-Pas Company e começaram os primeiros testes.
As primeiras unidades não deram muito certo, mas com o tempo foram aperfeiçoando o produto. Em 1924, decidiram desenvolver um com alto teor de óleo: o pastel oleoso. Naquela época, dividiram a invenção por estação: no inverno, havia mais óleo, para evitar que o giz endurecesse; no verão, a concentração era menor, para que o calor não o derretesse.
As escolas desconfiavam do método, mas os círculos artísticos ficaram fascinados. Quando o giz japonês chegou à Europa, seu sucesso comercial foi imediato e algumas marcas começaram a copiá-lo. A marca japonesa contatou artistas de vanguarda para familiarizá-los com a técnica. Um deles era Pablo Picasso.
Foi o mesmo Picasso quem, em 1947, após muitos anos sem conseguir giz pastel oleoso por conta das condições da guerra, convenceu o fabricante francês Henri Sennelier, especializado em produtos artísticos de alta qualidade, de desenvolver uma versão para belas-artes, mais sofisticada. Em 1949, a Sennelier produziu os primeiros pastéis oleosos destinados a profissionais e artistas, superiores em viscosidade de cera, textura e qualidade do pigmento e capazes de produzir obras mais consistentes e atrativas.
Técnica do Pastel Óleo:
1. Preenchimento da superfície:
- Com força, impregnando a porosidade do papel com o pigmento ou com camadas, de mesma cor ou cores diferentes;
- Com menos força, deixando a porosidade visível, preenchendo os espaços vazios com o óleo.
ATENÇÃO: Devemos utilizar sempre muito pouco óleo, caso contrário vai dissolver demais a tinta e tirá-la ao invés de espalhar. Cuidado! Com cor escura, a utilização do óleo vai clarear a cor e com cor clara pode escurecer. Você sempre pode testar fora!!
2. Preenchimento com cores claras
- Muito importante que a base esteja homogênea;
- Segurar no bastão como se segura no lápis para primeiro tom.
ATENÇÃO: O óleo com cor amarela modifica a cor, adicionando amarelo à cor.
3. Degrades:
– Não se consegue fazer o degradê apenas variando a pressão da mão como com o lápis grafite ou lápis de cor;
- Com uma única cor – Pode ser feito com ajuda do óleo. Passar o óleo, esperar secar e trabalhar outra camada por cima. Se houver necessidade vai encaixando com o pincel apenas sujo de óleo.
- Com mais de uma cor, utilizando a cor mais clara para fazer o encaixe.
DICA: Use seus dedos, algodões, tecidos, pincéis, esfuminhos ou esponjas para melhorar as misturas.
4. Cores escuras:
Cores muito escuras e principalmente o preto, são colocadas depois das claras, pois se trabalhar o preto e uma cor clara próxima, se a cor clara tocar a preta você VAI manchar a cor clara.
5. Sobreposição de camadas e o uso do branco:
É importante saber que o pastel oleoso é um material em que você consegue trabalhar sobreposições, mas tem um tempo de secagem. Enquanto ele ainda está molhado você estará usando-o como se fosse uma tinta, ou seja, o pigmento vai se misturando naturalmente. Ao esperar secar você consegue sobrepor camadas, porém há um limite. O giz pastel oleoso tem uma opacidade maior do que o lápis de cor, por exemplo, mas ainda é um material transparente, diferente da própria tinta a óleo, que é opaca por natureza. Dessa forma, com o pastel oleoso você consegue sim sobrepor uma camada, mas não 100%.
O branco que é a cor mais clara acaba sendo mais difícil. Tem que ter paciência e ser bem incisivo para transferir para o papel uma massa mais grossa.
Por outro lado, você pode sobrepor camadas esquentando o bastão de pastel oleoso com uma vela, por exemplo, e dessa forma acrescentar uma massa da cor ainda maior.
6. Uso da folha lisa é possível?
Sim é possível, porém você inevitavelmente vai raspar em algum momento a cor que você acabou de adicionar, ou seja, o próprio bastão raspa o pigmento que não ficou impregnado no papel pela falta de porosidade, então necessariamente você tem que ficar esperando ele secar e trabalhar em camada e/ou com o óleo, e mesmo assim é muito difícil que se consiga algo homogêneo.
7. Posso apagar o giz pastel oleoso?
Sim é possível retirar camadas do material sim, seja raspando, seja com o uso de uma borracha de textura mais porosa, você consegue voltar algumas camadas dessa maneira e assim transformar completamente a cor.
Autor:Ivan Rossé
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